Publicado por: cjabruno | junho 22, 2010

Comi, Rezei e?

Lembro quando eu comecei o blog, eu estava no meio de uma depressão, e resolvi me agarrar a minha paixão por escrever para ver se eu encontrava de novo minha paixão pela vida.

Bom me ajudou muito, no processo do blog eu pude dividir dores e angústias e encontrei um monte de gente cheia de opinião, alguns até viraram amigos.

Eu passei pela depressão num processo que durou pouco mais de 6 meses, eu não tomei remédios e nem fiz intensivo de terapia, mas realmente não foi fácil.

Em determinado momento eu percebi que teria que largar a minha vida para recuperar a minha vida e por mais complicado e inviável que pareça foi o que eu fiz. Para ter a coragem de fazer isso eu tive que tomar muitas pancadas, mas foi incrível perceber que uma vez que eu fiz isso tudo pareceu de certa forma se encaixar.

Eu entrei numa viagem de redescoberta. Redescoberta dos prazeres, das vontades, dos sonhos, da vida, de Deus e por fim de mim.

Eu larguei casa, trabalho e fiz as malas pra lugar nenhum. Deixei o que podia na casa da mãe e levei o que eu gostava pra uma jornada sem destino que acabou tendo destino bem definido: Bahia –Suíça (primeira etapa).

E lá eu reaprendi muitas coisas… A conviver em família e amar isso, a me sentir útil e parte de alguma coisa e gostar disso,  acordar todo dia disposto a fazer tudo, com vontade de ajudar, redescobri amigos e o prazer de sentar  e bater papo e de ouvir os outros, o prazer do silencio, da solidão, da minha companhia, o prazer de cozinhar e de comer, de viajar, de conversar e de conversar com Deus e ouvi-lo.

Também aprendi de novo a me apaixonar, pela vida, por sonhos, por mim e pelo outro. Eu redescobri as borboletas, o frio na barriga, o sorriso bobo e foi muito bom. Foi descompromissado, relaxado, foi tranqüilo, foi vento leve.

No processo eu li muitos livros, livros bobos, sérios, de frio na barriga e de reflexão e apesar de ter evitado por muito tempo o livro Comer Rezar e Amar por sentir aquela vibração auto-ajuda, eu não resisti e li. Em menos de duas semanas acabei, e não tenho pretensão de indicar pra ninguém, mas foi ótimo pra mim. Falou diretamente e mais uma vez me mostrou que não estamos sós nem nas mais loucas situações e, além disso, me fez olhar ainda mais pra mim e para o meu redor, reconhecendo, identificando e solucionando meus problemas e me aprofundando na busca de uma vida de prazer sem sensação nenhuma de auto-ajuda.

Ser feliz não é fácil é exercício diário e nem todo dia temos um saldo positivo, mas posso ser feliz todo dia, mesmo que não o dia todo. As paixões acabaram e a primeira parte da minha jornada também. Agora estou na segunda que engloba um tempo no Brasil e daqui alguns meses EUA.

Essa semana percebi que tenho um certo problema de intimidade, apesar de ter certeza que eu quero namorar.

Não sei passar do estado da paixão, não consigo ainda me entregar ao próximo, amar sem limites como tanta gente faz por ai ou até mesmo já se dispôs a fazer por mim. Fiquei triste por um momento quando vi que fugi de todo mundo que tentou se aproximar e que não fiquei triste por isso. Era o mais certo a fazer no momento.

Estou sozinho, mas sem me sentir só. Estou bem e pronto para o que der e vier. Talvez seja apenas uma questão de pessoa certa, talvez seja uma questão de constatar que essa pessoa não existe, não sei, mas continuo… Continuo uma jornada, uma busca por tudo que me faça bem e talvez o amor, aquele romântico, faça parte dela também.

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Responses

  1. Adorei seu texto… sabia que vc ia adorar o livro. Nem sei te dizer em qtas formas ele funcionou pra mim tbm, pelo menos para entender e aceitar certas coisas…
    Que tal vermos o filme juntos?

    Beijos

  2. Eu li seu texto e alguma coisa no tom dele me fez lembrar “Roda viva” do Chico Buarque. São sempre tantas as voltas que damos quando o assunto é amor… seja amor-próprio; amor paixão; amor fraternal; amor amor (que não o da Cacharel).
    Oscar Wilde dizia que amar a si mesmo é o começo de um romance para toda a vida. Amar é. E cabem depois do verbo tantos complementos quantos acharmos necessários.
    Seu texto me faz pensar que mesmo quando a gente não têm ou ganha aquilo que espera; ganha e têm outra coisa necessária que não desejávamos. A experiência enriquece; seja ela qual for.

  3. Uma coisa que uma amiga me disse um dia me marcou: às vezes, mais importante do que pedir pra ser feliz, é pedir pra ser ALEGRE.
    A alegria no dia a dia faz uma diferença enorme. Deixa os problemas leves e contagia os outros também, ajudando os ambientes.

    Beijo!

  4. Feliz com suas mudanças! Assisti a uma entrevista na qual um psiquiatra disse não haver reconhecimento da felicidade se vc não conhecer a tristeza. Precisamos das duas faces. Uma pessoa em estado imutável de felicidade torna-se entorpecida (bobona).

  5. Bruno, que coisa difícil esses livros de auto-ajuda, não? uma praga tantos deles. pra mim, parecem baile de carnaval qeu vc fica assistindo: não fazem sentido. mas naquele que você mergulha. e certamente há sempre boas reflexões em um ou em outro. não li esse especificamente, mas claro q vou ver o filme. Bom, gosto muito das coisas q vc escreve e meu protetor de tela é uma foto do seu outro blog, aquela que tem um pé em primeiro plano. sucesso pra você.

  6. Que lindo Bruno. Muito bom seu blog, seus textos, suas idéias e o modo claro e conciso que você consegue expô-las. Não sabia que você escrevia tão bem, tenho certeza que você é um ótimo jornalista e escritor. Esse livro realmente é demais.
    Parabéns mais uma vez…

    Bjinhos

  7. Que texto lindo!!!
    Comer, Rezar, Amar, mudou a minha vida. Completamente. Eu estava perdido, não sabia mais o que eu gostava, o que eu queria. Eu não conduzia minha vida, não escolhia as coisas que eu queria fazer. Eu namorava na época e deixava que a pessoa conduzisse da forma que ela queria, e então fui me fechando, minimizando a minha vida, quando na verdade nós precisamos maximizar.
    Comer, Rezar, Amar me fez olhar pra dentro, me fez querer satisfação do dia-a-dia. Eu não podia continuar me fechando, tenho que conhecer pessoas, fazer amigos, e estar com alguém que não me limite e sim que possamos crescer juntos.
    Como no filme/livro… É preciso encontrar o equilíbrio e se o tiver que perder por amor, ai sim, vale a pena.
    Já Comi… estou rezando… logo Amar.

  8. Amei o seu texto, eu infelizmente estou muito pra baixo… náo como, não rezo, só quero amar alguém que não me ama como eu gostaria.
    Estou precisando muito de ajuda, eu sei que preciso dela mas, eu não quero outra coisa senão que ele me ame.
    Rezem por mim…

  9. […] ano foi bom, não posso reclamar, afinal comecei tomando um intervalo sabático que foi interrompido de forma pensada e desejada. Agora estou trabalhando, morando em SP e […]

  10. […] eu quando resolvi parar com meu momento “Comer Rezar e Me Amar” em 2010 não imaginei que ia chegar aqui em momento algum.  Eu tinha resolvido que era a hora de […]


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